Twin Peaks: Do suspense à estranheza

BL

 

 

Como post de estreia do blog, venho falar de uma série cuja influência é imensa para mim, não apenas na criação de “A Chave do Monarca Azul”, mas para a abordagem como um todo de contar uma história. Eu nasci no mesmo ano em que Twin Peaks. Horóscopo chinês à parte, o fato de esse seriado ser tão antigo (1990) e tão brilhantemente realizado já merece crédito. Mas a verdade é que, como muitas coisas em Twin Peaks, há mais coisas sob a superfície.

 

Laura

“Quem matou Laura Palmer?”

 

A premissa do show parece simples: uma menina é encontrada morta, na pacata cidade de Twin Peaks, Washington, um lugar que, para todos os efeitos, nunca tinha presenciado algo tão terrível. Como há uma aparente conexão com outro assassinato, e uma sobrevivente do mesmo ataque de Laura foi encontrada em outro estado, um agente do FBI é destacado para auxiliar a polícia local a encontrar o culpado. E é aí que a mágica acontece.

Falar de Twin Peaks é, indiretamente, falar do cenário atual da televisão. Até o momento de sua existência, não havia muita coisa na televisão norte-americana que fugisse ao formato “Soap Opera”, algo similar à novela das 8. Twin Peaks surge com uma trama pesada, envolvendo assassinato, tráfico, prostituição, corrupção de autoridades, sonhos proféticos, budismo e “damn good coffee!” Ao contrário do que se poderia imaginar, porém, a ruptura do formato de novela apenas impulsionou a popularidade de Twin Peaks entre os norte-americanos: As pessoas conversavam sobre o episódio anterior às segundas-feiras no trabalho, havia camisetas com a frase “Who Killed Laura Palmer?” ou com o rosto da “Senhora do Tronco” (um dos personagens mais incríveis!). Os criadores David Lynch e Mark Frost deram ao público norte-americano de televisão algo novo, um mistério que realmente as agarrou. E isso abriu espaço para muita coisa!

 

LogLady

 

Se dentre as muitas pessoas mortas como dano-colateral pelo Exterminador do Futuro estivesse o David Lynch, não teríamos Arquivo X, Lost, True Detective ou mesmo Bates Motel, de certa forma. Silent Hill? Acho difícil… A estranheza de Twin Peaks abriu um precedente na mídia. Bizarrices que só se via nos episódios curtos de “Além da Imaginação” agora compunham toda uma trama, com dimensões paralelas, possessões por entidades e simbolismo envolvendo creme de milho (!!!). Mesmo sendo claramente datada (afinal de contas, a série ainda é um meio de transição), ela pode facilmente ser assistida hoje em dia e evocar a mesma sensação de mistério e encantamento que causou há 25 anos. Em poucas séries você pode ter, no mesmo episódio, comédia surreal, trilha sonora noir, diálogo filosófico, medo, avanços na investigação e aprofundamento em personagens tão cativantes. E só em Twin Peaks você tem a própria cidade como uma espécie de “personagem silencioso”, marcando sua presença com o apelo visual dos locais e com sua cativante e assustadora natureza.

 

Tremond

 

Acho que não posso falar muito mais sem correr o risco de spoilers, ou de um post desnecessariamente longo. Recomendo que assistam a série (infelizmente ela saiu do NetFlix, mas pode ser “conseguida” online e comprada em DVD ou Blu-Ray). Aviso, porém, que a série foi cancelada após a segunda temporada, e um filme excelente foi feito para tentar chamar a terceira temporada, mas não chegou a dar certo. Uma terceira temporada, porém, está sendo produzida pelo canal ShowTime, para estrear exatos 25 anos depois do fim da série, em 2016!

 

Esperemos com vontade! E que “O Fogo Ande Com Você”

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