School of Emotional Engineering: Uma atmosfera de neblina e samples

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Voltando às trilhas sonoras, tenho a declarar que, embora o Labirinto e o Black Sabbath sejam vitais para mim, tanto na vida pessoal e artística quanto no processo de escrita d’A Chave do Monarca Azul, seria injusto consagrá-los como “trilha sonora oficial” do livro. E isso porque o que mais se aproxima de ter me acompanhado obsessivamente durante todo o processo de escrita é o álbum único e homônimo do projeto “School of Emotional Engineering”.

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Com o título derivado do maravilhoso “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, o projeto do compositor australiano Ben Frost evoca paisagens de ficção científica e distopia, misturadas com uma espécie de nostalgia perversa que é capaz de agarrar qualquer ouvido atento. Enquanto no livro o “College of Emotional Engineering” consiste em uma localidade onde são desenvolvidas “histórias hipnopédicas” que reforçam o condicionamento social e a apatia de sentimentos, a ironia do álbum faz exatamente o contrário: Essa é, de fato uma música que evoca tantos sentimentos e emoções quanto possível.

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Desde que ouvi o som do School of Emotional Engineering, comecei a escutar o álbum em loop, como um verdadeiro maníaco. Não é incomum que isso ocorra na minha vida, é claro, e sou especialmente propenso à repetição doentia de um projeto musical quando ele é texturizado, cheio de sons surgindo do nada, e realmente toma diversas escutadas para ser absorvido apropriadamente. SOEE é tudo isso. Misturando dark-jazz, trip-hop, música eletrônica e algumas das atmosferas mais perversas e “invernais” que alguém pode encontrar em um álbum, a sensação de escutar o disco é a de estar imerso em um filme realmente sombrio e misterioso, seguindo um intimista personagem principal enquanto ele anda sem rumo por cenários de completa devastação (estrutural ou psicológica).

Foi nessa atmosfera de histórias intimistas e sem rumo que eu construí meu protagonista anônimo, e foi dos trompetes subliminares e sons de fumaça que eu fiz a voz de seu nêmese, o Arlequim. Eu agradeço a Ben Frost por me dar a mood perfeita para construir o livro. E ao livro, por me dar tantas memórias para associar a escutadas futuras do SOEE.

Ficam os links para duas canções, a monstruosa faixa final “Slicing the Skin Between My Toes”:

e as duas faixas de abertura “To be continued… / Refrain”:

Fica também o conselho de que vocês peguem para ouvir o álbum inteiro.   Ben-Frost-4